Dolors Miquel nasceu em Lleida, no ano de [1960]. É poeta de um lirismo único que combina seu vanguardismo poético com suas raízes rurais e o retrato do cotidiano. Em seus livros a autora mostra o lugar principal que ocupa a sua poesia: a crítica.
Recebeu diversos prêmios literários como o Rosa Leveroni [1989], Ciutat de Barcelona [2005] e o prêmio Gabriel Ferrater em [2006]. Entre seus livros encontramos La dona que mirava la tele [2010] e La flor invisible [2011].
O seu instinto transcendental ultrapassa as barreiras da ignorância social e desponta na ponta do lápis e na composição de seus poemas mostrando o grande efeito das palavras em sua vida. Destes momentos sutis de escrita surgiram seus poemas entre eles, El Paradís, que apresentamos agora no Dossiê de Literatura Neolatina:

El paradís

Si un home travessés el Paradís en un somni i
li donessin una flor com a prova que hi havia
estat i si en despertar trobés aquella flor a la
seva mà… Llavors, què?

 Coleridge
 Vaig travessar el paradís en un somni
i em van donar una flor.
La flor era allí quan em vaig despertar,
a sobre els llençols. Era bellíssima.
L’hi vaig ensenyar a ma mare
que vivia tancada al cor d’una carxofera,
filant-se la seda dels ulls, treballant-la
en uns meravellosos sudaris de mil colors.
He estat al paradís, mare –li vaig dir.
I ella es va treure de la butxaca
una flor seca, igual, idèntica.
Vaig saber aleshores
que no n’hi havia prou
d’haver estat al paradís.
O paraíso

Tradução ao português por Souza Pereira

 Se um homem atravessasse o Paraíso em um sonho e
lhe dessem uma flor como prova que havia
estado ali, e se ao despertar encontrasse essa flor em
sua mão… então o quê?
Coleridge
Atravessei o paraíso em um sonho
e eles me deram uma flor.
A flor estava ali quando eu acordei,
sobre os lençóis. Era belíssima.
Mostrei-a a minha mãe
que vivia com o coração fechado como uma alcachofra,
fiando as sedas dos olhos, trabalhando
em seu maravilhoso sudário de mil cores
Eu estive no paraíso, mãe – eu lhe disse
E ela tirou do bolso
uma flor seca, igual, idêntica
Em seguida, eu logo soube
que não foi suficiente
estar no paraíso.
Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Dossiê de Literatura Neolatina: Mostra de poesia catalã, por Dolors Miquel

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