Susanna Rafart nasceu em Ripoll no ano de mil novecentos e sessenta e dois [1962], é poetisa, autora de ficção e crítica literária. Entre suas obras poéticas se destacam Pou de glaç [2002] Poço de gelo, ganhadora do Prêmio Riba em [2001], Retrat en blanc [2004] Retrato em branco e Baies [2005]. A voz poética que Susanna apresenta neste Dossiê de Literatura Neolatina é feita de palavras elegantes e delicadas, bem escolhidas e talhadas com precisão, para que ocupem um lugar dentro do verso como os cacos de um mosaico, sem ressonância alguma, nem toque de trombeta, sem vulgaridades nem arrebatamento, é de tal sutileza e ternura como a de uma mão que acaricia um gato.

Traçaré cercles amb obsidiana
Traçaré cercles amb obsidiana,
tall a tall, resseguint el fosc dels verbs,
quan el dia serà el darrer dia
enmig de bèsties goludes
que amb urpes enllunades
voldran amar la vida d’un sol vers,
benefici de brúixoles indemnes
sota columnes d’heura ennuvolades.
Així serà que no escriurem el curs
de rius vivíssims.
Restaré als cercles sota neus adverses
i aboliré la mar que m’incendia
el llapis desolat d’aquests abismes.
Trazaré círculos con obsidiana
Tradução ao espanhol por Susanna Rafart

Trazaré círculos con obsidiana,
corte a corte, siguiendo la oscuridad del verbo,
cuando el día será el último día
entre animales salvajes
que con sus garras de luna
querrán amar la vida de un único verso,
beneficio de brújulas indemnes
bajo columnas de hiedra entre las nubes.
Así sucederá: no escribamos el curso
de ríos vivísimos.
Me quedaré en los círculos bajo nieves adversas
Y aboliré el mar que incendia
El lápiz desolado de estos abismos.
Com aquella navalla desitjada d’infant
Com aquella navalla desitjada d’infant,
de fulles desplegades i bell mànec vermell,
amb el seu nom gravat. Ha anat creuant els anys
perseguint-la entre somnis: fines fletxes de faig
o talles d’animals en fusta de noguera,
el nus antic d’un cedre, la sang d’un cos primer.
De gran, n’esmola el tall, guanyat en la memòria
on abat les malures que embosquen els records.
Come quel coltello del suo desiderio di fanciullo
Tradução ao italiano por Francesco Ardolino

Come quel coltello del suo desiderio di fanciullo,
dalle lame spiegate e dal bel manico rosso,
con il nome inciso. Ha trascorso anni
a inseguirlo tra i sogni: sottili frecce di faggio
o intagli di animali in legno di noce,
il nodo antico di un cedro, il sangue di un primo corpo.
Da grande, ne affila il taglio, conquistato nella memoria
in cui abbatte le angosce che celano i ricordi.


Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Dossiê de Literatura Neolatina: Mostra de poesia catalã, por Susana Rafart

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