Calmaria

Há dias vi
Maria por entre a poeira da casa.
Lembrou-me uma rima.
Os mistérios de Maria misturavam-se
às prateleiras,
às roupas detrás da porta,
a cheiros, banheiros e pias.
Graça palpitava à Maria:
-põe roupa de rima fácil,
alegria, nostalgia!
Hoje tem festa,
tem brincadeira,
poesia!
São muitas,
novas Marias.
Jardineiras,
Vivendas,
deixadas à vida.
Assim que moça, pra rua!
Encarregar-se do dia.
Da lida para casa,
da casa para fantasia.
De um dia,
não ser mais só.
Consigo.
Sonho, em manhã calma.
Exata.
Em si.
Calmaria.


Grasiela Fragoso (Niterói, 1981). Historiadora, Colaboradora na Revista Rumo. Autora do Blog Fina Têmpera – http://www.finatempera.wordpress.com.br

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Dossiê de Literatura Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Grasiela Fragoso

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