Calmaria

Há dias vi
Maria por entre a poeira da casa.
Lembrou-me uma rima.
Os mistérios de Maria misturavam-se
às prateleiras,
às roupas detrás da porta,
a cheiros, banheiros e pias.
Graça palpitava à Maria:
-põe roupa de rima fácil,
alegria, nostalgia!
Hoje tem festa,
tem brincadeira,
poesia!
São muitas,
novas Marias.
Jardineiras,
Vivendas,
deixadas à vida.
Assim que moça, pra rua!
Encarregar-se do dia.
Da lida para casa,
da casa para fantasia.
De um dia,
não ser mais só.
Consigo.
Sonho, em manhã calma.
Exata.
Em si.
Calmaria.


Grasiela Fragoso (Niterói, 1981). Historiadora, Colaboradora na Revista Rumo. Autora do Blog Fina Têmpera – http://www.finatempera.wordpress.com.br

Posted by:Jorge Pereira

Produtor cultural e agente literário pernambucano baseado no Rio de Janeiro e São Paulo. Fundador da Casa Philos e editor-chefe da Revista Philos. Curador de festivais literários e de arte contemporânea.

Uma resposta para “Dossiê de Literatura Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Grasiela Fragoso

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