Tecnicolor

Vi um punhado de celulares em círculo a brincar de roda
Havia música e ciranda – faltava infância.
Como se a alegria fosse não te tocar com as mãos
Ou num pique-esconde onde nos encontrasse a amizade.
Como se a conversa adolescente não tivesse mais hálito
E não fabricassem mais balas de hortelã
Frescor de beijo tecnicolor ao vivo.
Vi uma abelha pousar sobre uma tela plana
Havia flores e néctar – faltava jardim.
Como se a primavera fosse não florir
Ou num filme antigo onde nos faltasse a beleza.
Como se aspirassem pólen e pétalas
E não mais permitissem o voo
E o amoroso beijo colibri.
Vi com olhos de poesia as coisas do mundo
Havia retirantes de terras estrangeiras – faltava paz.
Como se a vida por si só fosse delito
E a fuga em massa a outra face.
Como se a areia daquela praia fosse a terra prometida
Refúgio da delinquência de quem vive
Rodeado de ternura e inocência.
Vi papel em branco
Havia caneta e alguma fagulha – faltava você.


Silvio Valentin Liorbano (São Paulo, 1966). Professor, escritor e poeta vencedor do 4º Prêmio Casa de Cultura Mário Quintana em 2006. Colabora com crônicas e artigos no site “Jornalirismo” – publicou livros para crianças, jovens e adultos.

Posted by:Jorge Pereira

Produtor cultural e agente literário pernambucano baseado no Rio de Janeiro e São Paulo. Fundador da Casa Philos e editor-chefe da Revista Philos. Curador de festivais literários e de arte contemporânea.

Uma resposta para “Dossiê de Literatura Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Silvio Valentin Liorbano

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