O templo do poeta

A porta, fechada ou aberta, faz delimitação
Fora, os mortais; dentro, a sacralidade.
Estantes abarrotadas, séculos de inspiração
Inefáveis escrituras de divina humanidade.

Outrora, lápis e papel; hoje, computador
Tanto faz, tudo é objeto de liturgia
Que sobre a mesa – um altar – espera com ardor
A hora da epifania.

Da janela, despontam obras sacras
Mais preciosas que estátuas de querubins
Escape para as horas de inspirações parcas
É o colosso dos pássaros, um doce jardim.

Mas vazio é o templo sem o seu clérigo
Pra do mundo externo criar a arte concreta
Dom divino ou puro mérito?
Eis o sacerdócio do poeta.


Alessandra Costa de Almeida (Osasco, 1987). Artista visual e escritora independente, poetisa.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

2 replies on “Dossiê de Literatura Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Alessandra Almeida

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