Mulheres em círculo

Fios vermelhos tecem o confiar,
entregues em contos vívidos,
tímidos, acolhidos no escutar.
Nas mãos que doam,
energia e emoção.
Nas mãos que bordam,
calor e compreensão.
O tecido fiado reluz esperança esvoaçando,
alado, no pulso de uma dança,
na nota de uma canção,
no traço de uma pintura,
no silêncio da meditação,
no barro de uma escultura.
O tecido despe culpas,
tristezas e dores,
perdas e mágoas,
medos e pavores.
Veste corpos renovados
com as cores da bonança.
Inspirados, transformados,
pela sagrada confiança.
O tecido venda o olhar
do ofuscamento exterior,
e desvenda clemente,
intensamente,
o farol interior.


Mariana Villela (Itajaí, 1974). Escritora amadora, arquiteta, mestranda, mãe, entre outras coisas que a definem. Criada e educada pelo Brasil afora, especialmente na urbe de São Paulo, com tempero baiano, carioca e mineiro. Atualmente vive na ilha de Florianópolis, SC e escreve por necessidade de alma.

Publicado por:Jorge Pereira

Recifense, produtor cultural, editor-chefe da Revista Philos e criador da Casa Philos.

3 comentários sobre “Dossiê de Literatura Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Mariana Silva Villela

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