O cinza dos dias

O cinza dos dias
Manchou meus sonhos,
Meu lápis cansado
Não quer escrever.

As folhas vazias
Procuram por cores,
Meus olhos vendados
Já não podem ver.

E sigo o caminho
De largas passadas,
Sempre apressadas,
Já sem perceber.

A flor na calçada,
A voz da cigarra,
O filhote no ninho,
O entardecer.

Mas, mesmo embaçado,
Meu olhar cansado
Já não consegue ignorar
Aquela árvore seca,
No fim da minha rua.

De galhos tão altos,
Já quase sem vida,
Nos quais todo dia
Um bem-te-vi vem cantar…


Jessyca Santiago (Recife, 1990). Pernambucana, mora em Shangrila RJ. Graduada em Letras Inglês pela UERJ trabalha como professora em instituições privadas.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Dossiê de Literatura Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Jessyca Santiago

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