Infinito

Da vida que ouço, pulsante
Experimento apenas algo ralo
Como aquela estrela que escapou
Da influência cêntrica, e vaga
Errante, em direção ao vazio
Desta vida que traz prazeres
E dores indescritíveis
Desta vida, conheço apenas os versos
E os escrevo, como quem soubesse
Mas não sei, não poderia
A hipocrisia dos meus princípios
A valentia de minhas pernas quebradas
Ah! Essa dor que não sinto
Essa coragem que não possuo
Onde poderei bebê-las?
No éter da sorte gravitacional
Arrastam-me aqueles olhos grandes
E me consomem na grandeza de sua escuridão,
queimando a matéria na vida que buscava
Agito-me para dentro daquela singularidade
Onde o tempo para, retrocede e avança
Sem que me perceba o correr no relógio
Antes da morte, contraio-me na dor
De um prazer infinito que se provou
A semente derramada naquele ventre escuro
Pareceu-me cem milhões de estrelas girando
em torno de um umbigo galáctico
lançando braços siderais de uma vida,
milhões delas,
que jamais seriam.


José Henrique Zamai (Divinolândia, 1991). Advogado e escritor.

Publicado por:Jorge Pereira

Recifense, produtor cultural, editor-chefe da Revista Philos e criador da Casa Philos.

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