Toque do Tempo

Ó Deus,
Em qual berço balbuciei minhas manhãs?
Em qual prece reconheci Tua voz?
Em qual brinquedo guardei minha infância?
Em qual vestido deixei a adolescência?

Em qual beijo emocionei o amor?
Em qual paixão cedi ao desejo?
Em qual adeus conheci a saudade?
Em qual lençol fantasiei afãs e afagos?

Em qual sonho acalentei meus ideais?
Em qual poema consagrei meus versos?
Em qual magia dei à luz a graça de ser?
Em qual dor senti os meus filhos não só meus?

Em qual fé, ó Deus, vi a sabedoria de meus pais?
Em qual sorriso se desfez minha juventude?
Em qual alento aninhei meu colo aos netos?
Em qual retrato me congelaram o ser bela?

Em qual passo se calou a minha dança?
Em qual olhar perdi a ânsia da vida?
Em qual poente repousará minha lide?
Em qual estrela permanecerá minha luz?

Em qual, ó Deus?


Lucrecia Welter (Paraná, 1953). Escritora multipremiada e presidente da Academia de Letras de Toledo, Paraná. É Revisora de textos da Revista Philos e Curadora de Literatura lusófona da mesma Revista. Tem diversos livros lançados e publicações em coletâneas poéticas.

Posted by:Jorge Pereira

Produtor cultural e agente literário pernambucano baseado no Rio de Janeiro e São Paulo. Fundador da Casa Philos e editor-chefe da Revista Philos. Curador de festivais literários e de arte contemporânea.

Uma resposta para “Dossiê de Literatura Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Lucrecia Welter

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