Desesperança

Os ares que nos circundam parecem lúgubres;
Ouço tudo descontente e mudo.
O silêncio, promulgado pelo autoritarismo, não diz nada,
E, ao mesmo tempo, para quem quer ouvir, diz tudo.
Manipulam assinaturas na calada da noite,
E o amanhecer é de taciturna desesperança,
Maquiados pelas indecentes lentes da mídia,
Que, de forma imparcial, geram desconfiança.
Dividem a pacífica sociedade ao meio,
Como forma de dominância estratégica,
Criam o ódio antes adormecido,
Tudo para se usurpar da régia.
Destarte, manobram as riquezas, consoantes à sua conveniência,
E, de forma indireta, promulgam a epidemia do mal,
Assim como o genocídio da equidade em latência,
Gerando um mórbido cataclismo social.
E o fruto dessa colheita,
Não será doce nem profícuo,
Afetará não só esta, mas futuras gerações,
Salvante a opulência dos iníquos!


Ricardo Lacava (São Carlos, 1981). Médico veterinário graduado pela Universidade Estadual Paulista, Mestrado pela Universidade Federal de Santa Catarina e Doutorado pela Universidade Estadual Paulista e Harper Adams University (Reino Unido).

Posted by:Jorge Pereira

Produtor cultural e agente literário pernambucano baseado no Rio de Janeiro e São Paulo. Fundador da Casa Philos e editor-chefe da Revista Philos. Curador de festivais literários e de arte contemporânea.

Uma resposta para “Dossiê de Literatura Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Ricardo Lacava

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