Soneto bento

[Pela atenuação de um casmurro]

Ó flor do céu, ó flor cândida e pura,
Que sei eu de ti e do que me valha?
Perde-se a vida, ganha-se a batalha
A troco de qualquer tola aventura…

Mas – vê tu! – que os cortes são de navalha;
Chega o destino e nos traz a rasura,
Bifurca o caminho e muda a figura:
Ganha-se a vida, perde-se a batalha!

Bento de pensamento estou – vem ver!
Nem sei se ganho ou perco em meu deslize:
Por ti, seria padre a te benzer.

Mas, celibato não há que amenize
Este querer-te toda por querer!
Busco um pecado que me poemize.


David Junior (Votorantim – SP, 1989). Professor e poeta publicado em diversas antologias e vencedor de prêmios literários da região de Sorocaba/SP.

Publicado por:Jorge Pereira

Recifense, produtor cultural, editor-chefe da Revista Philos e criador da Casa Philos.

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