Antigo testamento

Ah, se Deus conhecesse o que criou,
O beijo de mulher a quem amasse,
Nunca mais o desejo condenasse,
Nem impuro seria quem copulou!

Alguma vez Javé acaso amou
Querendo fosse eterno o que é fugace?
Acaso não veria com melhor face
Os pecados que só Ele decretou?

Se um filho, pois gerasses, Adonai,
Outra lei nos darias mais docemente,
Pois esta o doce amor sujando vai.

Javé, que se derreta com ardente
Amor o peito Teu por esta gente:
Desiste de ser Deus para ser pai!


Edson Amaro de Souza (Rio de Janeiro, 1980). Professor de Língua Portuguesa, tradutor do romance “Valperga”, de Mary Shelley pela editora Buriti, e da tragédia “O Rei Saul”, de Vittorio Alfieri, disponível em formato e-book na Amazon.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Dossiê de Literatura Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Edson Souza

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