Antigo testamento

Ah, se Deus conhecesse o que criou,
O beijo de mulher a quem amasse,
Nunca mais o desejo condenasse,
Nem impuro seria quem copulou!

Alguma vez Javé acaso amou
Querendo fosse eterno o que é fugace?
Acaso não veria com melhor face
Os pecados que só Ele decretou?

Se um filho, pois gerasses, Adonai,
Outra lei nos darias mais docemente,
Pois esta o doce amor sujando vai.

Javé, que se derreta com ardente
Amor o peito Teu por esta gente:
Desiste de ser Deus para ser pai!


Edson Amaro de Souza (Rio de Janeiro, 1980). Professor de Língua Portuguesa, tradutor do romance “Valperga”, de Mary Shelley pela editora Buriti, e da tragédia “O Rei Saul”, de Vittorio Alfieri, disponível em formato e-book na Amazon.

Posted by:Jorge Pereira

Produtor cultural e agente literário pernambucano baseado no Rio de Janeiro e São Paulo. Fundador da Casa Philos e editor-chefe da Revista Philos. Curador de festivais literários e de arte contemporânea.

Uma resposta para “Dossiê de Literatura Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Edson Souza

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