Este rio

Este rio
É minha alma,
Corroída pelo tempo,
Meu choro,
Meu lamento
Este rio,
Que ora chora,
Cuja dor se ignora,
É o rio de nossa história
De toda nossa memória
Sustento da lavadeira,
Alimento do pescador,
Doce inspiração,
Inspiração do sonhador
Neste rio,
Jogo lixo,
Pois é frio meu coração,
Transformo a vida
Em morte,
Destruição
Este rio,
É meu começo,
Início, meio e fim
Deságua suas águas
Neste mar que há em mim
Este rio
É meu destino
Rio que viu o menino
Crescer
E virar as costas
Meu companheiro de brincadeira
Parte de mim que morre.
Meu rio.
Minha alma.


Hiatus, pseudônimo de Robinson Silva Alves (Coaraci, Amazonas, 1976). Escritor e poeta multipremiado em festivais como o da UFF, UNIVAP e CLIP.

Publicado por:Jorge Pereira

Recifense, produtor cultural, editor-chefe da Revista Philos e criador da Casa Philos.

Um comentário sobre ldquo;Dossiê de Literatura Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Hiatus

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