Este rio

Este rio
É minha alma,
Corroída pelo tempo,
Meu choro,
Meu lamento
Este rio,
Que ora chora,
Cuja dor se ignora,
É o rio de nossa história
De toda nossa memória
Sustento da lavadeira,
Alimento do pescador,
Doce inspiração,
Inspiração do sonhador
Neste rio,
Jogo lixo,
Pois é frio meu coração,
Transformo a vida
Em morte,
Destruição
Este rio,
É meu começo,
Início, meio e fim
Deságua suas águas
Neste mar que há em mim
Este rio
É meu destino
Rio que viu o menino
Crescer
E virar as costas
Meu companheiro de brincadeira
Parte de mim que morre.
Meu rio.
Minha alma.


Hiatus, pseudônimo de Robinson Silva Alves (Coaraci, Amazonas, 1976). Escritor e poeta multipremiado em festivais como o da UFF, UNIVAP e CLIP.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Dossiê de Literatura Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Hiatus

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