Sentimento da noite

O dia, derretido na aurora, resfria-se na noite
Escurece, e as pessoas bocejam
Permaneço silente, como se sobre mim
se abatesse um estranho siso.

Certa aversão à lua e às estrelas
À imensidão do Universo que se tornava clara,
no céu do passado.
Sentimento de pequenez? Ou de solidão?

O relógio, o tempo, como rios,
corriam em um único sentido: não voltavam.
A noite avançava velha e,
como do nada, era uma criança recém-nascida.

Na madrugada, sento-me à janela de meu quarto
e observo as luzes da cidade.
Poucas casas no campo de visão.
Nada se altera por um longo período.

E a luz de uma janela próxima se acende.
Solidão? Não mais.
Eis ali outra alma insone!
Companheiro, como tem sido a vida?


José Henrique Zamai (Divinolândia, São Paulo, Brasil, 1991). Advogado e escritor.

Posted by:Jorge Pereira

Produtor cultural e agente literário pernambucano baseado no Rio de Janeiro e São Paulo. Fundador da Casa Philos e editor-chefe da Revista Philos. Curador de festivais literários e de arte contemporânea.

Uma resposta para “Dossiê de Literatura Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por José Henrique Zamai

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