Sentimento da noite

O dia, derretido na aurora, resfria-se na noite
Escurece, e as pessoas bocejam
Permaneço silente, como se sobre mim
se abatesse um estranho siso.

Certa aversão à lua e às estrelas
À imensidão do Universo que se tornava clara,
no céu do passado.
Sentimento de pequenez? Ou de solidão?

O relógio, o tempo, como rios,
corriam em um único sentido: não voltavam.
A noite avançava velha e,
como do nada, era uma criança recém-nascida.

Na madrugada, sento-me à janela de meu quarto
e observo as luzes da cidade.
Poucas casas no campo de visão.
Nada se altera por um longo período.

E a luz de uma janela próxima se acende.
Solidão? Não mais.
Eis ali outra alma insone!
Companheiro, como tem sido a vida?


José Henrique Zamai (Divinolândia, São Paulo, Brasil, 1991). Advogado e escritor.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Dossiê de Literatura Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por José Henrique Zamai

Comentários

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s