Arte Arteira

A cada movimento do teu corpo,
Nasce o bailado que tu principias
E que eu dou continuidade, sequência,
Na arte da querença,
Na cadência da inocência,
Vestindo tua veste nua,
Manto de nudez comum,
Tão minha, tão tua.

Tu, menino ágil e imprevidente,
Desces a ladeira generosa,
Escorregando pelas encostas,
Acendendo teu fogo fátuo
Na trilha que trilhas,
Enquanto alinhamos as asas da liberdade,
Aqui contida. Ardida. Escondida.

No furor da sede sedenta,
Insaciáveis crianças arteiras,
Faceiras,
De brincadeira,
Escondem o tesouro na caverna
Sob o manto de prata do luar argentado,
De olhar curioso,
Que acompanha, com ternura,
A desenvoltura da aventura,
Tão bela, tão doce, tão pura.

Sem tréguas, desbravamos o virgem da mata,
Dos vales e dos montes.
E, no alto da natureza,
Bradamos gemidos de vitória
Que confundem os lamentos do rio no cio,
Por um fio,
Se contraindo em calafrios…

No brilho do delírio,
Nos coroamos com a flor do lírio.

Assim, tão assim,
Dançamos, com arte, a nossa valsa,
A nossa parte.

E os gritos?
Neles, eu acredito. São bonitos. São benditos.

São bem ditos…


Lucrecia Welter (Toledo, Paraná, 1953). Escritora multipremiada e presidente da Academia de Letras de Toledo, Paraná. Revisora de textos e Curadora de Literatura lusófona da Revista Philos. Tem diversos livros lançados e publicações em coletâneas poéticas. Desenvolve trabalhos sociais voltados para a pessoa idosa de seu Município.

Publicado por:Jorge Pereira

Recifense, produtor cultural, editor-chefe da Revista Philos e criador da Casa Philos.

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