Conchas

Tuas conchas, Amara
colhidas numa enseada sem nome
escondem em suas circunvoluções
réquiens dos náufragos
revelam banzos
bisam batuques
de tantas Áfricas!

Amara, tuas prendas marinhas
apanhadas numa ilha sem nome
embora ostentem pequenez
abrigam maresias pontuais
arquivam apelos das monções

em suas sinuosidades
as conchas agasalham
lamentos do simum
e rubricam
as elegias dos mareantes
afogados na dor.

Além
aquém do mar
o amar o desamar.

Na geometria das conchas
paridas pelas marés, buriladas
pelas areias, tuas  solidões, tuas
galés, teus anelos, Amara, navegam.

 


Luiz Carlos Salamí (Tapera, Rio Grande do Sul, 1943). Professor e escritor. Membro do Clube da Poesia de Toledo (PR) e fundador da cadeira 15 da Academia de Letras de Toledo  (ALT), Paraná.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Dossiê de Literatura Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Luiz Carlos Salamí

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