Lembranças

Numa casinha de taipa,
Cá no meio do sertão,
Mora nela um sertanejo,
Mulher, filhos e a precisão.

Feita de barro batido,
Vizinha do céu e do chão,
Onde se encontra o luar
Mais lindo? É neste sertão.

Nas paredes de reboco,
Toda a fé de um cristão.
Um santo pra cada causa,
Pra causa do meu sertão.

Santo Antônio, São Francisco,
Padre Cícero, Frei Damião,
São os santos prediletos,
De nós…, povo do sertão.

Cá, o sol raia tão cedo,
Deixa tudo em exaustão.
Nada resiste à secura,
Só o sertanejo e o sertão.

Tem um ditado que diz,
Mas eu, não acredito não,
Aquele que planta colhe,
Então, plante cá no meu sertão!


Maria Eunice Silva de Lacerda (Ceará, 1956). Nordestina nascida em Brejo Santo, Ceará. Educadora aposentada. Membro do Clube da Poesia de Toledo, Paraná.

Posted by:Jorge Pereira

Produtor cultural pernambucano baseado no Rio de Janeiro. Fundador da Casa Philos e editor-chefe da Revista Philos. Curador de festivais literários e de arte contemporânea.

One thought on “Dossiê de Literatura Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Maria Eunice Silva de Lacerda

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