Lembranças

Numa casinha de taipa,
Cá no meio do sertão,
Mora nela um sertanejo,
Mulher, filhos e a precisão.

Feita de barro batido,
Vizinha do céu e do chão,
Onde se encontra o luar
Mais lindo? É neste sertão.

Nas paredes de reboco,
Toda a fé de um cristão.
Um santo pra cada causa,
Pra causa do meu sertão.

Santo Antônio, São Francisco,
Padre Cícero, Frei Damião,
São os santos prediletos,
De nós…, povo do sertão.

Cá, o sol raia tão cedo,
Deixa tudo em exaustão.
Nada resiste à secura,
Só o sertanejo e o sertão.

Tem um ditado que diz,
Mas eu, não acredito não,
Aquele que planta colhe,
Então, plante cá no meu sertão!


Maria Eunice Silva de Lacerda (Ceará, 1956). Nordestina nascida em Brejo Santo, Ceará. Educadora aposentada. Membro do Clube da Poesia de Toledo, Paraná.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Dossiê de Literatura Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Maria Eunice Silva de Lacerda

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