Necrópsia dos sentidos

Onde amei: uma caveira
em lugar dos lábios que desejei: uma carcaça
a pele que toquei, febril — cera maciça
os sonhos secretos que sonhei: fumaça

sobre os versos que escrevi: poeira
as palavras que sangrei: mofadas
as páginas que chorei: amarelas e secas
as dores tantas que poetizei: anestesiadas

eis aqui o mais cruel feito do Tempo:
— artesão imponente das encruzilhadas —
demolir os afetos que pensamos tão grandes
assassinar o sentidos…transformá-los em nada.


Rodrigo Menezes (Brasília, 1989). É escritor e poeta, graduando em psicologia.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Dossiê de Literatura Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Rodrigo Menezes

Comentários

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s