Necrópsia dos sentidos

Onde amei: uma caveira
em lugar dos lábios que desejei: uma carcaça
a pele que toquei, febril — cera maciça
os sonhos secretos que sonhei: fumaça

sobre os versos que escrevi: poeira
as palavras que sangrei: mofadas
as páginas que chorei: amarelas e secas
as dores tantas que poetizei: anestesiadas

eis aqui o mais cruel feito do Tempo:
— artesão imponente das encruzilhadas —
demolir os afetos que pensamos tão grandes
assassinar o sentidos…transformá-los em nada.


Rodrigo Menezes (Brasília, 1989). É escritor e poeta, graduando em psicologia.

Publicado por:Jorge Pereira

Recifense, produtor cultural, editor-chefe da Revista Philos e criador da Casa Philos.

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