O amor que queima é o mesmo que aquece (2014). Monotipia, acrílica & datilografia sobre papel sulfite, 30×21 cm.

Comentários: Esta obra faz parte das minhas primeiras monotipias, quando descobri a técnica sem nunca antes ter ouvido falar da mesma. também estava fazendo alguns desenhos de observação, por isso a mão. o fogo era uma mancha prévia feita pelo meu filho numa folha de rascunho, na qual depois limpei uma espátula. A frase-título batida à máquina, surgida mais de um ano depois do desenho, me deu a sensação dele estar completo.

Conseil de rats (2013). Acrílica & posca sobre página de livro, 21×15 cm.

Comentários: Desenho de observação a partir de foto encontrada na web, feita sobre página de um antigo livro em francês das fábulas de La Fontaine.

Dancin’ drunk cowboy (2013). Lápis sobre papel e composição digital, 21×15 cm.

Comentários: O desenho é o esboço original para a primeira (e único) xilogravura de matriz dupla que eu fiz. este mesmo esboço originou diversas outras obras, tornando-se, inclusive, capa do meu primeiro livro de poemas, enquanto você toma rumo, eu tomo rum. A versão aqui apresentada, com seu fundo escurecido digitalmente, foi criada para presentear um amigo, resultando em uma impressão grande em forma de lambe-lambe colado sobre madeira.

Mãos atadas, mente livre, da série Curando o coração na caverna (2013-2015). Papel, isopor, verniz marítimo, pó de mármore, lixa & acrílica sobre madeira, 25×30 cm.

Comentários: após o término do meu casamento, mudei para uma pequena & curiosa casa construída como que incrustada em um morro, o que lhe conferia um ar misto de “caverna” com “casa de Hobbit” — por isso o título da série, “curando o coração na caverna”. este trabalho é integrante da série que realizei durante os dois anos que vivi lá, vindo a ser concluído (e por mim descoberto/conceitualizado) quando mudei para a casa na qual atualmente moro. Em comum as obras apresentam o uso de texturas obtidas com diversos materiais como lixas, mármore em pó, vernizes, isopor e demais materiais que me surgiam.

Sobre o tempo & seus desvios (2015). Água sobre fotografia, 21×30 cm.

Comentários: a imagem original consiste em uma foto do meu filho mais velho na casa de sua avó, em registro digital feito por sua mãe. Imprime a imagem em casa para testar uma nova impressora e borrifei água sobre a imagem, lhe conferindo este ar abstrato e de desmaterialização físico-temporal à cena.

O fantasma do amor passado (2012). Xilogravura & colagem sobre papel, 21×30 cm.

Comentários: Xilogravura formada por duas matrizes distintas (cenário e personagem), adicionando um pintinho recortado de um antigo colchão de bebê rasgado.

Já dizia Axl Rose Série: As canções que você (não) fez pra mim (2012). Aquarela, nanquim, papel & folhas de plantas sobre papel, 21×29 cm.

Comentários: como (quase) sempre feito de forma casual, rabisquei com lápis uma folha, comecei a colar papéis que seriam descartados (o fundo preto) e então percebo que se manifestava, um homem com uma criança no colo com uma cidade ao fundo. a fita de São Google e as folhas que cobrem o pai haviam sido presentes recentes e estavam sobre à mesa, sendo naturalmente incorporadas à obra. ao mostrar para uma primeira pessoa, percebi que — de forma inconsciente — a obra pode ser considerada ser autobiográfica, dada as semelhanças entre os personagens apresentados e o artista com seu filho pequeno.

Um lobisómi americano no arraiá (2009). Acrílica, esferográfica, fio encerado & papel sobre madeira, 15×15 cm.

Comentários: novamente interpretada por pessoas próximas à mim com uma autoreferência (esta também insconsciente), a obra começou com esta espécie de homem-lobo, ganhou bandeirinhas ao fundo e balões com diálogos aleatórios. tudo junto & pronto, quando buscava um título me veio esta referência ao filme Um Lobisomem Americano em Londres, que somado aos balões em inglês trouxeram novas possibilidades de leitura desta imagem.

Princípios básicos da Garrafa Térmica (2015). Monotípia e caneta hidrográfica sobre papel, 30×21 cm.

Comentários: Um dos raros casos onde título e ideia surgem antes da imagem — a frase-título surgiu no ateliê quando percebi que um amigo tinha o hábito de não fechar a tampa da garrafa térmica, tornando-a inútil. Utilizando uma folha sulfite previamente desenhada pelos meus filhos como suporte, pela monotipia inseri a garrafa e o texto à obra, que me remete à um cartaz ou coisa que o valha.

Prece (2015). Monotipia, 30×21 cm.

Comentários: Monotípia feita sobre folha de sulfite previamente utilizada para teste de impressão em uma impressora caseira. A vela foi o 1º elemento da imagem à surgir, dando origem a obra de teor metafísico.

O (pseudo) adeus do Osso (2011). Xilogravura, 30×30 cm.

Comentários: minha primeira xilogravura, aqui impressa em três cores. o desenho foi feito de forma espontânea, sem nenhuma concepção prévia. depois de pronto, um amigo próximo fez a leitura de que a obra representa o sumiço do Osso, meu gato, que passou cerca de 15 dias fora de casa — período que a obra surgiu — e depois retornou. o cão representa um cachorro que surgiu em casa neste mesmo período. originalmente intitulada “o adeus do Osso”, como o seu retorno o “pseudo” foi acrescentado ao título.


Bagadefente (Ourinho, São Paulo, Brasil, 1984). É criador multimídia, escritor, artista visual & videomaker; produtor cultural, arte-educador & por aí vai, sempre utilizando o Acaso como sua principal ferramenta criativa. Em 2011 trocou o cinza da cidade pelo verde do campo e desde então vive na zona rural, dedicando-se à sua produção artística autoral e atuando profissionalmente como roteirista/redator, videomaker e artista gráfico freelancer. Também se dedicada à publicação independente através da sua microeditora artesanal, a Livros do NADA. Seus trabalhos podem ser conferidos no site http://www.nada.art.br.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Por uma Poética do Acaso, pt. II, por Bagadefente

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