Valsa descompassada

Pense em mim como a caixa de música
Empoeirada, esquecida no fundo da estante,
Que toca uma música embalada
Por memórias de um tempo distante.

Você passa e ignora,
Não vê que a caixinha lamenta,
Acha que está quebrada e precisa
Urgente de nova emenda.

Mas saiba que ela ainda canta,
Pois cantar é só o que sabe
Engrenagem enferrujada encerra
Uma valsa descompassada
Que roda, gira e volta
Sempre para a mesma margem!

E a cada passo o descompasso aumenta
E mostra recorrente antiga imagem
E uma melodia repetida que sugere
Precisar mesmo de nova engrenagem.

Passo a passo passa o tempo
Em cadência ritmada
Ora leve ora apressada
Sem você perceber.

E assim desavisado,
Cantarola despreocupado
Aquele som descompassado
Que pensava esquecer.


Jessyca Santiago (Recife, 1988). Natural de Pernambuco, mora em Shangrila, Belford Roxo, Rio de Janeiro. Graduada em Letras Inglês Literaturas pela UERJ. Trabalha como professora, voluntária e tradutora e possui textos publicados em revistas literárias.

Publicado por:Jorge Pereira

Recifense, produtor cultural, editor-chefe da Revista Philos e criador da Casa Philos.

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