Gramática arcaica

Ah! Arcaica gramática!
Se deixe seduzir pela lânguida língua da minha gente.
Se deixe renovar como as folhas da Caatinga
às primeiras chuvas do inverno.

Se permita à pluralidade miscigenada desse povo
combinada a sua imaginação inusitada
que em um átimo verbaliza sentimentos complexos
com a facilidade de quem tira água da cacimba.

Ah, gramática arcaica!
Não abandone seus filhos gerados nessa relação incestuosa.
Não seja rigorosa com suas crias
concebidas no chão
e paridas no suor da lida.
Saiba que elas vingam,
se criam mesmo abortadas.

Bendita poligamia linguística que tanto permite
irrestrita e irrepreensível formação oral
que tudo pode
num molde flexível, sensível e generoso
como a criativa fala do meu povo.


Mandu Holanda (Ceará, 1968). Pedagogo por formação, Oficial de Justiça por profissão, Músico por diversão e Boêmio por vocação. Casado com Lene, pai de Yorrana, Gabriel e Ariadna e avô de Maria Clara.

Publicado por:Jorge Pereira

Recifense, produtor cultural, editor-chefe da Revista Philos e criador da Casa Philos.

Um comentário sobre ldquo;Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Mandu Holanda

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