Não tenho vontade de viver. Pelo menos essa vida. Eu sei e você sabe que estamos deitados com o cobertor da angustia e com a cabeça encostada no travesseiro da agonia. E você do meu lado não me ajuda. Afundamos juntos na imensidão do colchão coberto com um lençol de devaneios e colocado na cama do cinismo.
E por mais que eu tente levantar você não deixa. E vice-versa. A minha alma foi trocada pela sua naquele dia em que nos torturamos diante do espelho. Eu não me vi, você não se viu. O nosso reflexo estava imerso em nosso oposto. E nessa loucura toda não nos desgarramos. Ficamos, então, afogados nos nossos próprios erros e achamos melhor permanecemos deitados. Simplesmente deitados. Deitados na inércia que é esta vida.


Antônio Fernandes (Taguatinga, 1997). Mora em Recife e é estudante de Ciência Política na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

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