Soneto lapidado

Se a eternidade te invade o peito,
Deixa! Que não nos há maior doçura,
Nem melhor sanidade, nem loucura,
Nem causa que traga melhor efeito!

Sentir-se pequeno e grande aventura
De quem vê grandeza em cada imperfeito,
Despreza o perfeito de tao suspeito
E aceita a marca de cada rasura.

Ah, que vida e essa que não nos cura!?
Que acontece em nos a nosso despeito
E nos põe na tenaz linha de um triz!?

E doido, mas de real ternura
O tal viver, que feito e então desfeito
Sangra, fere e completa a cicatriz…


David Edson de Camargo Junior (Votorantim, 1989). Professor e escritor.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por David Junior

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