Sacerdotisa cênica

Sorriso de porcelana, de vidro e de cerâmica.
Olhos de ressaca, de gelo e de fogo.
Palavras de engano, de mentira e de gozo.
Eis esta quimera que me deparei!
De seus lábios inverdades saem
Em seu rosto uma máscara se encontra
Todos os dias um papel contracenado
Quão grande é o repertório de encenações!
O que faz no fechar das cortinas, doce quimera?
Tens uma máscara também para si mesma?
O que tu verdadeiramente és?
Ó filha, da dissimulação!
E quando sentires um sedutor perfume
E se sentires atraído por uma bela imagem
Cuidado, querido amigo!
É a quimera oriental!
Belladonna furtiva,
Dissimular-se de rosa é sua maior diversão!
Quando percebestes já serás vítima
O veneno correrá em suas veias
E tu, pobre alma, estarás sem nenhuma salvação!


Karinny Gonçalves (Tsunade, 1997). Contista e poetisa vencedora do Prêmio Flor do Ipê em 2015.

One thought on “ Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Karinny Gonçalves ”

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