Breviário do mar

1.
o meu eco se perdeu no vazio mar
após o urrar das ondas
aqui estou:
em silêncio
solitário
e
imóvel
daqui da areia
observo a nuvem a passar
e a água a se perder no mar
ainda fico em silêncio
resoluto
eu:
observo o nada vagar por entre meus dedos
adeus terra
adeus mar
adeus vida mansa
2.
longe do céu
mas próximo do chão
somos todos partículas
de pó e solidão
mas mesmo ao longe
a solidão das estrelas
ainda me comove
3.
procurei teu amor
em
cores
luzes
e
alfazemas
enlaçado estou e preso fui em tua teia
o meu coração, cheio de clichê e dor, ainda pulsa sem ti
4.
água que vai
e vem
no rebolar
dos verdes mares bravios
o mar se perdeu no tempo
por onde anda minha Iracema?
aqui me vou:
longe de ti busco um pouco de mim
5.
há um mar visível e suspenso sobre nossas cabeças: céu
atento e silencioso fico a me debruçar dos sons do vento em água doce me despeço e me aparto do mar ainda estou sóbrio desde a despedida até hoje.


Léo Prudêncio (São Paulo, 1990). É poeta do livro Baladas para violão de cinco cordas, publicado em 2014. Atualmente reside em Goiânia.

Posted by:Jorge Pereira

Jorge Pereira (Recife, 1994). Produtor cultural e agente literário baseado no Rio de Janeiro. Fundador da Casa Philos e editor-chefe da Revista Philos. Curador de festivais literários e membro do Oi Kabum! LAB do Oi Futuro.

2 respostas para ‘Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Leonardo Prudêncio

Comentários

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s