A rua do mar

A rua da ladeira que desce de encontro ao mar
E a rua defronte do braço de mar cortando
A extensão da enseada – aonde fica aquele
Vilarejo pesqueiro envolto pelas maresias
Constantes dos ares salgados, nebulosos,
Cinzas – ou, às vezes pesponteados pelos
Raios do sol opaco e ameno das manhas.
Os homens pescadores saem de madrugada
Enfrentando as ondas brávias do alto-mar, e
Voltam com os barcos pesqueiros carregados
Com muitas espécies de peixes: – uns grandes,
Outros pequenos. As vezes, grandes quantidades
Pescadas de um cardume só: – de sardinhas ou atum.
Quando encostam os barcos pesqueiros na praia,
Logo chegam muitas gaivotas que vem navegando
Em voos, desde alturas dos tons mais azuis do céu.
Elas chegam e vão logo brigando entre si – a procura
Dos restos de peixes que foram deixados na praia.
Deserta praia – que agora, – espera o cair
Da tarde esperando anoitecer; entretanto,
Na rua do mar, os pescadores descansam
Acolhidos nas suas casas: – A espera dum
Novo amanhã – e tudo de novo recomeçar.


Odenir Ferro (São Paulo, 1990). Escritor, poeta e Embaixador Universal da Paz.

Posted by:Jorge Pereira

Produtor cultural e agente literário pernambucano baseado no Rio de Janeiro e São Paulo. Fundador da Casa Philos e editor-chefe da Revista Philos. Curador de festivais literários e de arte contemporânea.

Uma resposta para “Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Odenir Ferro

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