Soneto de Afã

Por anos, desnudei um mundo ingrato
perdido, transitei por entre as ruas
e quando ao fio quedava derrotado,
o acaso fez cruzar minhas mãos às tuas

Ao bel-prazer de um sol outrora ausente
que aqueceu tremente mãos tão frias,
nos debruçamos num gesto envolvente
revelando do amor sua alegoria,

E na tez do ocaso, recordamos
que em sonhos, nosso afã vinha traçado
na forma desenhada de um abraço.

E a paz reinou em nosso firmamento
delineada na forma dos passos
eternizando assim possíveis laços.


Osório Filho (Rio de Janeiro, 1982). Poeta e professor.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Osório Filho

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