A humanidade

O homem sem historia
percorre nas horas a realidade falida
da origem perdida, agora tema de ironia.
O homem sem cultura vê no acoite da fúria
o rosto da amargura da civilidade anunciada,
Viva a nossa Pátria!
O homem marcado, de traços e aços,
responde a vida com suor inundado
de sonhos e despedidas.
O homem sem passado esconde na contradição
a raiz da identidade plantada na tradição.
Lembrança de ser homem!
E tu Mulher que entre burcas e véus
gritas pelos teus presos nas fardas
de quem não renasceu?
Em meio a sua voz, de dor e ansiedade,
geme pelo simples toque da terra da liberdade.
Oh sonho fugaz, capaz de criar refém,
dela exigiu a fuga retribuindo-lhe puro desdém.
Ela segue, entre véus e arames
preces e vexames, em busca da piedade
vestida de palanque!


Rita de Kasia Andrade Amaral (Rio de Janeiro, 1990). Doutoranda no PPGHCS-COC. Mestre em História Social pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2014). Especialista em Preservação e Gestão do Patrimônio Cultural das Ciências e da Saúde pela Fiocruz (2016). Pesquisa temas como saúde, escravidão e identidade africana. É autora da obra Leve Mente Humana, pela editora Multifoco (2016).

Posted by:Jorge Pereira

Produtor cultural e agente literário pernambucano baseado no Rio de Janeiro e São Paulo. Fundador da Casa Philos e editor-chefe da Revista Philos. Curador de festivais literários e de arte contemporânea.

Uma resposta para “Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Rita de Kasia Andrade Amaral

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