Minha composição poética

I
minha composição poética
é o brado que insinua ternura
– arde no ouvido abotoado do despotismo –
combatendo embustes
com verborrágicos hinos de retidão

II
minha composição poética
é a probidade ferrenha versus a iniquidade estabelecida
– propõe devastar muralhas de desamor –
germinando girassóis
em fronts de guerras sem sentido

III
minha composição poética
é o grito que ecoa latente em desertos de sombras
– vocifera bramidos de abnegação –
suavizando em cores claras
a palidez doentia do esfomeado

IV
oh, a minha composição poética!
Almeja – com sua lâmina amolada de altruísmo –
talhar uma nova feição
na face assombradora do fascismo


Marven Junius (Santarem, Pará, 1967). Poeta vencedor do X CLIPP – Concurso literário de Presidente Prudente e do concurso Ruth Campos (2016).

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Dossiê de Literatura Neolatina: Mostra de literatura lusófona, por Marven Junius

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