Minha composição poética

I
minha composição poética
é o brado que insinua ternura
– arde no ouvido abotoado do despotismo –
combatendo embustes
com verborrágicos hinos de retidão

II
minha composição poética
é a probidade ferrenha versus a iniquidade estabelecida
– propõe devastar muralhas de desamor –
germinando girassóis
em fronts de guerras sem sentido

III
minha composição poética
é o grito que ecoa latente em desertos de sombras
– vocifera bramidos de abnegação –
suavizando em cores claras
a palidez doentia do esfomeado

IV
oh, a minha composição poética!
Almeja – com sua lâmina amolada de altruísmo –
talhar uma nova feição
na face assombradora do fascismo


Marven Junius (Santarem, Pará, 1967). Poeta vencedor do X CLIPP – Concurso literário de Presidente Prudente e do concurso Ruth Campos (2016).

Posted by:Jorge Pereira

Produtor cultural pernambucano baseado no Rio de Janeiro. Fundador da Casa Philos e editor-chefe da Revista Philos. Curador de festivais literários e de arte contemporânea.

One thought on “Dossiê de Literatura Neolatina: Mostra de literatura lusófona, por Marven Junius

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