Se me deixas falar

módicos sorrisos e alguma carícia
sempre tão pouco
e de repente me são absurdamente doídas
todas as palavras que calei por medo
o silêncio na ventania, um turbilhão dentro-aqui
e eu calava
porque o muito bom que fosse não importava:
era eu
e certamente não seria mesmo bom
porque sua presença me fazia nervosa
e me surpreendia seu gosto pelo ruim
do outro
tanto eu me importava com você
com você, que não era deus
você, que eu já não sei do que é feito
por muito tempo apostei no santo
aquela minha insegurança rala
hoje faz frio igual àqueles dias
àquele tempo
lambo minha boca quente
e tenho uma dor funda na barriga
profunda culpa de não ter sido.


Ludmila Rodrigues (Salvador, 1991) é estudante de Letras na Universidade Federal da Bahia e tem dois livros publicados.

One thought on “ Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Ludmila Rodrigues ”

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