Se me deixas falar

módicos sorrisos e alguma carícia
sempre tão pouco
e de repente me são absurdamente doídas
todas as palavras que calei por medo
o silêncio na ventania, um turbilhão dentro-aqui
e eu calava
porque o muito bom que fosse não importava:
era eu
e certamente não seria mesmo bom
porque sua presença me fazia nervosa
e me surpreendia seu gosto pelo ruim
do outro
tanto eu me importava com você
com você, que não era deus
você, que eu já não sei do que é feito
por muito tempo apostei no santo
aquela minha insegurança rala
hoje faz frio igual àqueles dias
àquele tempo
lambo minha boca quente
e tenho uma dor funda na barriga
profunda culpa de não ter sido.


Ludmila Rodrigues (Salvador, 1991) é estudante de Letras na Universidade Federal da Bahia e tem dois livros publicados.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Ludmila Rodrigues

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