Se…

É belo este batente.
Dos pulmões do mineiro,
que delida a vida desventrando a terra,
ao suor do ferreiro,
que, moldando o ferro, o corpo cresta,
quanta história contaria se falasse?

Quantos bateres lhe acudiriam à memória?

O bater saltitante da criança,
o bater sem cor e sem esperança
do homem revoltado com a vida,
o bater daquele apaixonado que, enlevado,
ali depôs uma alegre margarida?
Se esse batente falasse….

Semelhanças
Centenária, aquela porta repleta de memórias.
Qual retorta, dela se evolaram por frinchas mal vedadas,
enredos, paixões, amores, traições, alegrias, rancores, segredos,
fragmentos de vidas, em histórias condensadas.


Regina Gouveia (Santo André, São Paulo, Brasil, 1945). Licenciada em Física e Química, tem várias obras publicadas e premiadas em poesia, ficção e infanto-juvenil. Reside em Portugal desde 1948.

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Publicado por:Jorge Pereira

Recifense, produtor cultural, editor-chefe da Revista Philos e criador da Casa Philos.

Um comentário sobre ldquo;Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Regina Gouveia

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