Se…

É belo este batente.
Dos pulmões do mineiro,
que delida a vida desventrando a terra,
ao suor do ferreiro,
que, moldando o ferro, o corpo cresta,
quanta história contaria se falasse?

Quantos bateres lhe acudiriam à memória?

O bater saltitante da criança,
o bater sem cor e sem esperança
do homem revoltado com a vida,
o bater daquele apaixonado que, enlevado,
ali depôs uma alegre margarida?
Se esse batente falasse….

Semelhanças
Centenária, aquela porta repleta de memórias.
Qual retorta, dela se evolaram por frinchas mal vedadas,
enredos, paixões, amores, traições, alegrias, rancores, segredos,
fragmentos de vidas, em histórias condensadas.


Regina Gouveia (Santo André, São Paulo, Brasil, 1945). Licenciada em Física e Química, tem várias obras publicadas e premiadas em poesia, ficção e infanto-juvenil. Reside em Portugal desde 1948.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Regina Gouveia

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