O vento

O vento sussurra
ao vento que modifica tua alma
inflamada pelo nada que te perturba,
o nada que ficou para trás,
que fugiu para bem longe,
e que se escondeu em algum lugar
que eu nunca soube encontrar.

Tu és uma pessoa invisível,
Que vive às forças de uma saudade inexistente,
É você o Vinícius invisível,
Melancólico, poético, sensível,
Que se esconde atrás das folhas de papel.

Outra vez tentas, te desligar do mundo,
Queres apagar um passado que não podes controlar e tirar da mente.
O vento sussurra e te traz as lembranças inconscientemente,
Lembranças que, para viver, tens que morrer eternamente.


Benedito Teixeira Pires Filho [Itapipoca 1992]. Acadêmico de Enfermagem da Universidade Estadual Vale do Acaraú.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Benedito Teixeira Pires

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