O sacrifício das flores

Foi lá no jardim querido, de orquídeas, rosas, jasmins e outras tantas
Contemplando quão belas flores
Onde imperavam a paz, a quietude; e o dia parecia eterno
Distante do corre-corre da vida
E dessa mesma forma, a quilômetros, afastado da ganância, do ódio, do sofrer, do amor desprovido
Costumava recostar-me no banco e simplesmente olhar
Acompanhar a simples e complicada arte do Criador
Foi nessa observação que concluí o óbvio
Que também as flores lindas, perfumadas, sejam elas, de beleza comum ou incomum, exóticas
Quase que todas, sacrificam-se antes do tempo
Percebi num menino arrebanhando verbenas para uma mãe aflita
Sua esperança? Libertá-la da dor de uma tristeza incontida
Uma senhorinha pesarosa, preferindo aos jasmins que as brancas rosas, e, dessa forma, embelezar um corpo frio sem a beleza da vida, jazendo exposto num ataúde
Pouco tempo lhe falta para a multidão conduzi-lo ao seu destino derradeiro.
Um jovem esperançoso, de coração partido
Ansioso em reatar o laço que o unia àquela que fora sua amada, preferia às margaridas as vermelhas rosas
Essas expressariam um “eu te amo” colorido, naturalmente perfumado, na esperança de reparar seu coração condoído, gravemente amargurado
São nesses momentos, como em tantos outros que compõem a história humana, que as flores se sacrificam
Sacrificam-se para apaziguar o aflito vitimado por uma tristeza incontida
Sacrificam-se para, em vã tentativa, “embelezar” o cenário funesto de um corpo sem vida
Sacrificam-se, verbalizando, exprimindo amor, do que vai a busca daquela de antes, alma gêmea de muitas juras trocadas
As flores também se sacrificam para o bem de todos nós mortais
O Criador ilustrando nas pétalas multicoloridas de um ramalhete exalando perfume
A pretensão sublime há muito promulgada
De, como, no sacrifício das flores, a natureza vai bem representar a expressão maior do amor de Deus, como exemplo, em reparar as chagas de todas as almas perdidas, desamparadas.


Marcos Evangelista (Camaragibe, Pernambuco, Brasil). Poeta.

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Publicado por:Jorge Pereira

Recifense, produtor cultural, editor-chefe da Revista Philos e criador da Casa Philos.

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