Numa esquina do tempo

Luxuriosas,
as estrelas crepitam no céu negro.
Voluptuosos,
os ramos das árvores afagam a escuridão.
Quais garças,
miríades de sonhos esvoaçam ledos.
Titubeante,
o amor deambula por entre apaixonados.
Helena ama Demétrio,
que ama Hérnia, que ama Lisandro.
Errante, a paixão…
Titânia ama um ser com cabeça de animal.
Duendes e fadas
volteiam por entre a bruma esquiva.
Gorjeia a poesia.
No ar, o róseo perfume da madressilva.
A noite estremece.
De flautas e oboés, refulgem os trinados.
Amores reencontrados…
Flutuam acordes da marcha nupcial.
Cúmplice, a magia…
Florescem os sonhos na noite de verão.
Numa esquina do tempo,
Shakespeare, Mendelson e Chagall.
Subtil, a aurora desliza noite adentro.
Vénus regressa.
Ao amanhecer, esvai-se a fantasia.
Balbuciante, o dia…
rumoreja o bosque, despertando lento.


Regina Gouveia (São Paulo, Brasil, 1945). Nacionalidade portuguesa, professora aposentada, escritora com vários livros publicados e prémios obtidos em concursos.

Posted by:Jorge Pereira

Produtor cultural e agente literário pernambucano baseado no Rio de Janeiro e São Paulo. Fundador da Casa Philos e editor-chefe da Revista Philos. Curador de festivais literários e de arte contemporânea.

Uma resposta para “Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Regina Gouveia

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