Quem é Ingrid Maillard?
  • Diplômée de la section dessin de l’école de La Cambre (Bruxelles), c’est en Belgique que j’ai découvert l’art flamand ainsi que la Mythologie grecque, des “thèmes” qui deviendront le fil conducteur dans mon travail.
  • T: Diplomada da seção de desenho da Escola La Cambre (Bruxelas), foi na Bélgica que descobri a arte flamenga, bem como a mitologia grega, temas que se tornarão o fio condutor de meu trabalho.
Nos intriga a poética dos artistas, suas influências, os livros que nunca deixam der ler… Quem são suas luzes poéticas?
  • L’art baroque est certainement celui qui m’inspire le plus, notamment lorsque le maniérisme fait son apparition. On y observe de légères déformations corporelles, presque invisibles, mais perturbantes pour le spectateur. C’est pourquoi, Albrecht Dürer, Hendrik Goltzius ou encore Parmigiano sont de grands maîtres graveurs incontestables. D’autre part, la peinture dite “caravagesque” est aussi transcendante par son clair obscur. Concernant la littérature, c’est vers celle des poètes de la Grèce antiques que je me tourne le plus. Profondément inspirée par la mythologie grecque, les “Métamorphoses” d’Ovide sont une source d’inspiration inépuisable.
  • T: A arte barroca é com certeza a que mais me inspira, principalmente quando surge o maneirismo. Observamos então ligeiras deformações corporais, quase invisíveis, mas perturbadoras para o espectador. É por esta razão que Albrecht Dürer, Hendrik Goltzius ou ainda Parmigiano são mestres da gravura incontestáveis. Por outro lado, a pintura dita “caravagiana” também é transcendente em razão do seu claro obscuro. No que se refere à Literatura, é para os poetas da Grécia antiga que eu costumo me voltar. Profundamente inspirada pela mitologia grega, as “Metamorfoses” de Ovídio são uma fonte de inspiração inesgotável.
Para você, qual a importância das artes e da literatura na contemporaneidade?
  • L’art et la littérature sont une porte ouverte sur la poésie qui sommeille en chacun d’entre nous. Leur rôle, si il doit y en avoir un, est d’éduquer le propre esprit créatif du lecteur ou spectateur en lui offrant un esthétisme artistique à interpréter selon sa sensibilité.
  • T: A Arte e a Literatura são uma porta aberta para a poesia adormecida em cada um de nós. Seu papel, se é que existe um, é o de educar o próprio espírito criativo do leitor ou do espectador, oferecendo-lhe uma estética artística que deve ser interpretada segundo sua sensibilidade.
O que sua arte faz pelo outro e por si mesmo? Quais as reflexões que podem ser feitas sobre os aspectos artísticos de seu trabalho à luz da frase de Borges: “O outro, o mesmo”?
  • L’origine de ces collections provient de la volonté de comprendre, déchiffrer pour ensuite réinterpréter la mythologie grecque héritée plus particulièrement des métamorphoses d’Ovide. C’est en observant les tableaux des grands maîtres que mon interêt à les comprendre s’est développé. J’aspire à donner cette envie aux spectateurs, cette curiosité qui les mèneront à découvrir un imaginaire antique mais tout à fait d’actualité.
  • T: A origem dessas coleções decorre da vontade de compreender, decifrar para em seguida reinterpretar a mitologia grega herdada, mais particularmente, das metamorfoses de Ovídio. É observando os quadros dos grandes mestres que meu interesse em compreendê-los se desenvolveu. Eu desejo transmitir aos espectadores esta vontade e esta curiosidade que os levarão a descobrir um imaginário antigo, porém absolutamente atual.
Para você, o que representa a cultura Latina?
  • Bien évidemment, la culture latine est au centre de mon travail, c’est donc une source d’inspiration pour sa diversité et son imaginaire.
  • T: Evidentemente, a cultura latina está no centro do meu trabalho, sendo portanto uma fonte de inspiração pela sua diversidade e seu imaginário.
O que é necessário ler atualmente?
  • “Greek Myths” de Robert Graves est en quelque sorte ma bible.
  • T: “Mitos gregos”, de Robert Graves, é, por assim dizer, minha bíblia.
Há uma diferença entre os criadores, artistas e poetas e aquelas pessoas que não o são?
  • Chacun a sa sensibilité envers l’art mais c’est au créateur de pousser à l’imagination et l’évasion.
  • T: Cada um tem sua sensibilidade própria para a arte, mas cabe ao criador nos levar à imaginação e à evasão.
Qual o seu maior desejo artístico?
  • Pouvoir vivre de mon art est mon plus grand souhait. Mais aussi le fait d’inspirer d’autres personnes, de les inviter dans mon univers et en discuter. J’espère aussi voyager dans le monde entiers, découvrir d’autres cultures et m’en inspirer si possible.
  • T: Poder viver de minha arte é meu maior desejo. Mas também o fato de inspirar outras pessoas, de convidá-las a fazer parte de meu universo e de discuti-lo. Eu espero também viajar o mundo inteiro, descobrir outras culturas e me inspirar a partir disto, se possível.
 Qual o seu maior pecado artístico?
  • Il y en a tellement! 🙂 Si je dois me concentrer sur les plus handicapant, ce serait la lenteur dans ma production du au fait que je sois peut-être trop maniaque. J’ai tendance à passer beaucoup de temps sur chaque détail, à être très minutieuse, alors que j’aimerais pouvoir me “lâcher” un peu plus tout en arrivant à un résultat satisfaisant.
  • T: São tantos! 🙂 Se for para me focar nos mais limitantes, destacaria a lentidão de minha produção, devida ao fato de que talvez eu seja um pouco obsessiva. Tenho tendência a passar muito tempo em cada detalhe, a ser muito minuciosa, quando gostaria de poder me “soltar” um pouco mais e ainda assim chegar a um resultado satisfatório.
O que é essencial para a sua vida como artista?
  • L’art, ça va de soi!* Mais aussi les voyages, rencontres et découvertes.
  • T: A arte, como não poderia deixar de ser! Mas também as viagens, encontros e descobertas.
O espectador é confrontado em suas obras com a onipresença do feminino e da nudez. Por isso lhe indagamos: – Qual o papel da mulher nas artes e na sociedade? O que isso representa para você?
  • D’après moi, il n’y a pas de rôle précis à la représentation du nu féminin. C’est pourquoi j’essaie de le représenter sous toutes ses formes, que ce soit dans sa force comme dans sa fragilité. Parfois même, j’essaie de voir le corps (masculin ou féminin) comme un simple objet d’étude, où l’idée principale n’est pas d’en faire une représentation parfaite mais d’étudier des zones particulières souvent oubliées.
  • T: Na minha opinião, não há um papel específico na representação do nu feminino. É por isto que tento representá-lo sob todas as suas formas, tanto na sua força quanto na sua fragilidade. Às vezes, inclusive, tento ver o corpo (masculino ou feminino) como um simples objeto de estudo, no qual a ideia principal não é criar uma representação perfeita, mas estudar zonas peculiares, frequentemente esquecidas.

| A propos de l’artiste |

Est une artiste plasticienne née à Paris et ayant choisi le corps pour sujet d’étude. Spécialisée dans le dessin à la mine graphite, elle s’implique particulièrement au maniérisme apporté dans ses représentations. En utilisant des procédés minutieux et très précis, différents pour chaque collections, elle parvient à exprimer les tensions et les connexions propres à des corps en interaction, en appuyant son trait sur les raretés caractéristiques de l’anatomie qu’elle représente. En appliquant ces techniques au service de la mythologie grecque, elle parvient à donner à ses dessins une résonance sacrée, en réinterprétant ces mythes dans des scènes de vie solennelles, par une imagerie parfois violente, elle en permet une compréhension plus claire et non moins poétique. C’est dans la recherche de nouveaux procédés techniques, que cette artiste développe doucement son œuvre, s’attachant toujours plus à la représentation du détail, et aux signes particuliers des corps qu’elle choisit.

| Sobre a artista |

Ingrid Maillard (Paris, França, 1990). É uma artista plástica parisiense especializada em desenhos com grafite, com forte influência do maneirismo em suas representações. Utilizando processos de criação meticulosos e estudos de anatomia humana, Ingrid recria traços realistas e delicados de corpos humanos, em especial, de seu eu feminino.

| Colaborações na Philos |

Revista Philos #12: Ingrid Maillard foi a responsável pela capa e direção de arte da décima segunda edição da Revista Philos lançada originalmente em janeiro de 2017.

| Galeria |

| Sobre o tradutor |

Caio Lobo (Recife, Brasil, 1979). Mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília, Caio Lobo, pseudônimo de Bruno Mendonça; é crítico e escritor. Escreve sobretudo romances, ensaios e poemas. Viveu em Toulouse, na França entre os anos de 1994 e 1998, e em 2012, por incentivo de terceiros, criou o Blog do Francês, espaço destinado para publicação de ensaios. Colaborou com sites literários como o Bar do escritor e Escrita. Em 2016 assumiu uma coluna mensal na Revista Philos, sendo o primeiro colunista convidado pelo editorial para compor a sessão de colaboradores.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

2 replies on “L’art, ça va de soi!, pour Ingrid Maillard

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