Revelado

Humanóide primitivo,
Corpo acorrentado
[à cegueira dos sentidos,
Retorcem as retinas,
Em convulsão,
Sob o sol.

Seu legado:
Um leito,
Ressecado de rio;
Na boca,
Um gosto de sal do Himalaia;
E nos ouvidos,
O Mediterrâneo,
[inteiro,
Zunindo e zumbindo,
Qual projétil,
[em deflagração.

Mas, inconformado,
Insistindo em não desaparecer,
Sua história persiste:
Pela dor fortalecido,
Resiste aos ventos
[e ao tempo.

Até que um dia,
Lavados pela chuva fina,
Seus olhos brotam e se levantam,
Solitários, do alto de um rochedo.

Para que, revelados,
E conscientes,
Pudessem ser cultuados
[e idolatrados,
Por um bando de bestas,
Ainda primitivas.


Fábio Luís Vasques Silva (Rio de Janeiro, 1974). Advogado, Professor, Escritor e Poeta.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Fábio Luís Vasques Silva

Comentários

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s