Revelado

Humanóide primitivo,
Corpo acorrentado
[à cegueira dos sentidos,
Retorcem as retinas,
Em convulsão,
Sob o sol.

Seu legado:
Um leito,
Ressecado de rio;
Na boca,
Um gosto de sal do Himalaia;
E nos ouvidos,
O Mediterrâneo,
[inteiro,
Zunindo e zumbindo,
Qual projétil,
[em deflagração.

Mas, inconformado,
Insistindo em não desaparecer,
Sua história persiste:
Pela dor fortalecido,
Resiste aos ventos
[e ao tempo.

Até que um dia,
Lavados pela chuva fina,
Seus olhos brotam e se levantam,
Solitários, do alto de um rochedo.

Para que, revelados,
E conscientes,
Pudessem ser cultuados
[e idolatrados,
Por um bando de bestas,
Ainda primitivas.


Fábio Luís Vasques Silva (Rio de Janeiro, 1974). Advogado, Professor, Escritor e Poeta.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Editor chefe da Philos.

One thought on “Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Fábio Luís Vasques Silva

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