Aquela pichação que fiz no muro da tua casa, durante a madrugada. Aquela madrugada em que eu jurei amor em um inglês ruim. Aquele inglês ruim que você gostou de ouvir porque parecia aquela música internacional. Aquela música internacional que tocava no rádio, no quarto daquele motel onde tivemos a nossa primeira vez. Aquela vez que, depois do sexo, te prometi uma pichação no muro da tua casa. Aquela casa de onde expulsaram a tua família para construir um estádio para a copa. Aquela copa em que o Brasil perdeu para a Alemanha de sete a um. Aquele 7 a 1 que assistimos na rodoviária, rindo de todos que choravam, antes que eu chorasse te vendo partir de volta pra Exú. Aquela tua partida que foi pior que qualquer 7 a 1.


Francisco Carvalho (Maceió, 1988). Escritor, contista e poeta; é professor de História nas horas vagas.

Posted by:Jorge Pereira

Jorge Pereira (Recife, 1994). Produtor cultural e agente literário baseado no Rio de Janeiro. Fundador da Casa Philos e editor-chefe da Revista Philos. Curador de festivais literários e membro do Oi Kabum! LAB do Oi Futuro.

Uma resposta para “Aquela, por Francisco Carvalho

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