Aquela pichação que fiz no muro da tua casa, durante a madrugada. Aquela madrugada em que eu jurei amor em um inglês ruim. Aquele inglês ruim que você gostou de ouvir porque parecia aquela música internacional. Aquela música internacional que tocava no rádio, no quarto daquele motel onde tivemos a nossa primeira vez. Aquela vez que, depois do sexo, te prometi uma pichação no muro da tua casa. Aquela casa de onde expulsaram a tua família para construir um estádio para a copa. Aquela copa em que o Brasil perdeu para a Alemanha de sete a um. Aquele 7 a 1 que assistimos na rodoviária, rindo de todos que choravam, antes que eu chorasse te vendo partir de volta pra Exú. Aquela tua partida que foi pior que qualquer 7 a 1.


Francisco Carvalho (Maceió, 1988). Escritor, contista e poeta; é professor de História nas horas vagas.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Aquela, por Francisco Carvalho

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