Admito que, de fato, você mudou muito. Mas, parece que se esqueceu de uma coisa: eu também me metamorfoseei. Então, vir com todo esse discurso, que permeia o arrependimento e se debruça na sua falta de maturidade, não vai mais funcionar comigo, com o meu novo eu. Só estou te ouvindo agora, porque ainda resta certa consideração.
Realmente, não sei o que passou pela sua cabeça quando resolveu sair, desvairado, por aquela porta. Porém, mesmo com esse desconhecimento, vejo que não sopesou as consequências das suas falas e ações. Naquele dia, eu fiquei te esperando por algumas horas… Ai se você retornasse a tempo… Com certeza, receberia o meu perdão.
Fico extremamente incomodado em ouvir que a nossa atual situação se concretizou em razão da ironia do destino. Não adianta, neste momento, torná-lo culpado. Na realidade, o destino é coerente. Ele rege as nossas vidas conforme o fluxo de verdade que exalamos na terra. Ele traça o nosso caminho equacionando os elementos x, y e z contidos no nosso ser e estar no mundo.
Aliás, o mundo dá voltas, meu caro! O luto é superável. As lágrimas, um dia, secam. A ausência deixa de ser sinônimo de dor e passa a ser de livramento. A autoestima se reestabelece, é fortalecida. A vida nos presenteia com alguns ombros amigos. Ou, simplesmente, nos surpreende com um novo amor.
Caso reatássemos a nossa relação hoje, tudo seria diferente entre nós… O beijo irreconhecível. O abraço distante. O sexo forçado. A nossa união já não se justificaria. E o “Eu te amo” deixaria de ser representativo dos meus sentimentos. Portanto, reconheça, o desamor é a melhor decisão.


Vagner Silva (São Lourenço, Minas Gerais, 1994). Graduando em Direito e bolsista do PETI pela UFLA. Participou das coletâneas literárias 15º Concurso de Poesias (2015), organizado pela CNEC de Capivari/SP, e Coexistência: antologia de poesias, contos e crônicas (2016), pela editora Porto de Lenha, e Trilha de Lótus (2016) e Ponto de criação (2016), da Andross Editora. Tem textos publicados nas Revistas Literárias Philos e Subversa.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

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