O ser tão do sertão

No clarão do meio dia, à sombra do sabiá, a cabaça já vazia, enrolo o fumo na palha;
Na marmita embalada, com muito apreço e cuidado,
o feijão é escoteiro;
a mistura é farinha;
o tempero, rapadura;
pois me ponho a salivar com os olhos cheios de sede de saudade da morena que, em nosso castelo de taipa, rala o milho pro mingau e aguarda o dia inteiro meu retorno pra, no quintal, na contemplação da lua, ao som da minha viola, e ao brilho dos vagalumes, admirar o espetáculo do ser tão, que é sertão.


Aurilene Sampaio (Itapipoca, 1982). Professora da rede estadual de ensino, nas horas vagas abstrai escrevendo e pintando.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Aurilene Sampaio

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