O buriti

Um Buriti embalava-se em meus sonhos,
trazia os ventos da rosa dos ventos
depois ia pôr-se com o sol do solstício de verão.

O Buriti vinha sombrear meus anseios
e seu fruto salivava a minha boca.
Sou fruto do ventre da árvore gigante.

Venho da raiz desassossegada,
da planta que sombreia o mundo
E se transforma em revoada…

Buriti fazedor das fantasias
tuas mãos nativas libertam
e tatuam epifanias…

Buriti tatuador da poesia!
Cria horizontes escarlates
com as tintas dos paradigmas.

Sou tua nova semente;
fecunda-me com a mente… toda
a substância dos teus enigmas.


Annie de Carvalho (Macapá, Amapá). Geógrafa. Ganhou o Prêmio- CNPq-UNIFAP-artigo2009, foi contemplada no Prêmio Sarau Brasil 2016, premiada no II Concurso Literário Pena & Pergaminho 2016-contos. Tem participação em diversas coletâneas regionais e nacionais. Também é declamadora.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Annie de Carvalho

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