Nenhum pássaro migra aqui

Nenhum pássaro migra aqui.
O frio não bastou para a fuga
nem a invenção de outro alimento.
Tudo é ainda o mesmo
tudo é ainda preso a essa pequena baía
que chamam de enseada
e que cercaram de pedras pontiagudas
onde se depositam peixes mortos.
Todas as tardes
uma pequena fração de calor
faz o galo ensaiar seu voo curto
à margem de qualquer umidade.
Também eu encurto distâncias
presa que sou à teia
baleia em pote de vidro.
Renuncio às migrações, às estações de fuga
ao ensaio da transparência.
Quero a mesma invisibilidade
dos peixes mortos.


Cristina Garcia Lopes Alves (Leopoldina, 1965). Professora do curso de Nutrição da Universidade Federal de Alfenas, MG. Tem um livro publicado “O Continente e outros poemas”, além de poemas e contos publicados em revistas literárias impressas e digitais.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Cristina Garcia Lopes Alves

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