Pérolas

Cenário de vida pulsante
Preenchida, resolvida
No pulsar do coração da mata
No delírio perene
Da gema da planta
Transgredida e santa.

Cobrança insaciada do animal no cio
Em atilhos de arrepios
No luze-luze dos espasmos
De repetidos orgasmos
Contentando o corpo inteiro
Do beija-flor ligeiro.

Esmeraldas cravadas, lapidadas
No olhar mágico da águia
Poderosa
Que voa geniosa
No rastro da presa fácil.

Poros acasalando à superfície
Pérolas no coral
Moluscos bivalves
Margaritas clintonitas
Contas feitas… alinhadas num colar.

Gotículas redondas
Na camarinha das iaôs
Na torre ameada do castelo
Em doce anelo
Incandescentes.

Eu, bichinho do mato,
Pérola do mais puro oriente
Vejo contente
A satisfação dos inocentes…


Lucrecia Welter (Paraná, 1953). Escritora multipremiada e presidente da Academia de Letras de Toledo, Paraná. É Revisora de textos da Revista Philos e Curadora de Literatura lusófona da mesma Revista. Tem diversos livros lançados e publicações em coletâneas poéticas.

Publicado por:Jorge Pereira

Recifense, produtor cultural, editor-chefe da Revista Philos e criador da Casa Philos.

Um comentário sobre ldquo;Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Lucrecia Welter

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