Eu sei por que Tigres enjaulados gritam

Percebo que nem sei mais começar,
Perdi o jeito, qual palavra correta dizer.
Vão se passando os dias e tudo se fecha numa neblina,
Sufocando-se na falta de visão e espaço para correr.
Uma linha de algodão por um pouco de chão.
Eu sei por que tigres enjaulados gritam.
Sonhei com um lago de flores,
Mas o frio e o seu corpo estavam lá,
Eu tento entender o sonho, eu e você.
Mas somos no fim ultraprocessados e
Nem precisa alertar, estamos perdidos.
Diminuindo cada vez nossa existência numa infinita reticência…
Eu sei por que tigres enjaulados gritam.
Nem sei que língua estou usando,
Mais tarde seremos morte e pó,
Uma raiz, tudo desaparecendo no infinito.
Vestígios e lembranças nos mantêm ainda vivos.
Terra é pouco para quem mira a existência
Continente de vida é o que merecemos.
Eu sei por que tigres enjaulados gritam.


João Luiz Azevedo (São Paulo, 1988). Escritor nascido no dia 7 de setembro na cidade de Tatuí, SP.

Publicado por:Jorge Pereira

Recifense, produtor cultural, editor-chefe da Revista Philos e criador da Casa Philos.

Um comentário sobre ldquo;Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por João Azevedo

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