Chovia com pouca intensidade, mas fazia bastante frio. Apesar da pouca chuva, eu estava ilhado na saída do supermercado. Moro aqui perto e havia esquecido meu guarda-chuva quando decidi almoçar no restaurante italiano da rua de trás. Aquela massa recheada estava ótima. Após minha refeição, recordei de pequenas coisas que faltavam em casa, meu café solúvel, papel higiênico, azeite, páprica, e algumas gramas de camarão para me arriscar na cozinha enquanto assisto masterchef. Então, quando estava na pequena fila para pagar minhas pequenas compras, avistei Luíza, minha ex, empurrando um carrinho que continha caixas de cereais de chocolate, e uma criança. Ela estava acompanhada de um homem alto que em nada se assemelhava a mim. Ambos usavam uma aliança dourada no anelar esquerdo. Pareciam felizes. Por uma fração de segundo cheguei a sentir inveja, mas, enquanto estivera comigo, Luíza queria uma família, e eu queria poder sair para comer no restaurante italiano da rua de trás e ficar ilhado no supermercado por ter esquecido o guarda-chuva. Queria poder ser o Marcelo antes de ser o marido de Luíza.


Manoela Souza (Maceió, 1998). Contista, cronista, e estudante de Relações Públicas pela Universidade Federal de Alagoas.

Posted by:Jorge Pereira

Produtor cultural pernambucano baseado no Rio de Janeiro. Fundador da Casa Philos e editor-chefe da Revista Philos. Curador de festivais literários e de arte contemporânea.

One thought on “Ilhado e sem guarda-chuva, por Manoela Souza

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