Por que te fizeste barco?

Por que te fizeste barco
Se sabes que eu não embarco
Em tudo o que ao mar se faça?
Eu não temo adamastores,
Mas do vinho dos amores
Não bebo por qualquer taça.

Por que te fizeste rio
A correr num desvario
Rasgando leitos errantes?
Não quiseste ser a vela,
Que move a barca mais bela,
Que é a barca dos amantes!

Por que te fizeste lua
Desenhando pela rua
Velas vazias de vento?
Podias ter tido a garra
De ser alma da guitarra
A vibrar de sentimento!


Hélder Joaquim Gonçalves (Portimão, Algarve, Portugal, 1951). Professor, recentemente aposentado de português. Publicou em 2016, “Fado Maior – Letras para fados tradicionais, pela editora Lua de Marfim, Lisboa.

Posted by:Jorge Pereira

Jorge Pereira (Recife, 1994). Produtor cultural e agente literário baseado no Rio de Janeiro. Fundador da Casa Philos e editor-chefe da Revista Philos. Curador de festivais literários e membro do Oi Kabum! LAB do Oi Futuro.

Uma resposta para “Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Hélder Joaquim Gonçalves

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