Por que te fizeste barco?

Por que te fizeste barco
Se sabes que eu não embarco
Em tudo o que ao mar se faça?
Eu não temo adamastores,
Mas do vinho dos amores
Não bebo por qualquer taça.

Por que te fizeste rio
A correr num desvario
Rasgando leitos errantes?
Não quiseste ser a vela,
Que move a barca mais bela,
Que é a barca dos amantes!

Por que te fizeste lua
Desenhando pela rua
Velas vazias de vento?
Podias ter tido a garra
De ser alma da guitarra
A vibrar de sentimento!


Hélder Joaquim Gonçalves (Portimão, Algarve, Portugal, 1951). Professor, recentemente aposentado de português. Publicou em 2016, “Fado Maior – Letras para fados tradicionais, pela editora Lua de Marfim, Lisboa.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Hélder Joaquim Gonçalves

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