Por que te fizeste barco?

Por que te fizeste barco
Se sabes que eu não embarco
Em tudo o que ao mar se faça?
Eu não temo adamastores,
Mas do vinho dos amores
Não bebo por qualquer taça.

Por que te fizeste rio
A correr num desvario
Rasgando leitos errantes?
Não quiseste ser a vela,
Que move a barca mais bela,
Que é a barca dos amantes!

Por que te fizeste lua
Desenhando pela rua
Velas vazias de vento?
Podias ter tido a garra
De ser alma da guitarra
A vibrar de sentimento!


Hélder Joaquim Gonçalves (Portimão, Algarve, Portugal, 1951). Professor, recentemente aposentado de português. Publicou em 2016, “Fado Maior – Letras para fados tradicionais, pela editora Lua de Marfim, Lisboa.

Posted by:Jorge Pereira

Produtor cultural e agente literário pernambucano baseado no Rio de Janeiro e São Paulo. Fundador da Casa Philos e editor-chefe da Revista Philos. Curador de festivais literários e de arte contemporânea.

Uma resposta para “Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Hélder Joaquim Gonçalves

Comentários

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s