No segredo da neblina

O vento segredou-me ao ouvido
pela neblina da aurora
e disse-me que o mundo andava perdido…

Não entendi a intenção
de me dizer àquela hora
mas logo cheguei à razão
por fazê-lo ao romper d’aurora

É que a mente estava fresca
da poluição internauta

O pobre mais pobre está
O rico mais rico é
O que outrora era lei
Eis que hoje não o é
A condição sobrepõe à posição

E assim vamos vivendo na intrepidez de um colapso das relações humanas.
O mundo está emocionalmente esgotado e nada derruba mais que o querer atingir a escravidão da fama.


Ilda Pinto Almeida (Portugal, 1961). Autora, literária e artista plástica de técnicas mistas de colagem sobreposta. Vencedora do 3° lugar do prémio Literacidade 2014 Prosa-Crónicas, Prémio Clarice Lispector de Literatura, 2015- Contos pela Editora Comunicação e 3° lugar no Prémio Castro Alves de Poesia.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Editor chefe da Philos.

One thought on “Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Ilda Pinto Almeida

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