Desconectado

De repente, um zero surge em minha vida.
Tudo que eu sei, leio e penso
Se manifesta agora em uma tela azul.

Desesperado, me agarro aos cabos
E peço a Deus que me devolva a vida.

Mas que importa, Deus?
Seguro o HD quebrado em minhas mãos.
HD… HD… minha vida
Dentro de um HD.

Chorei… chorei mais com a morte desse HD
Do que chorei com a de meu Hamster.

Morte? Morte!
Afinal, era um pedaço de minha alma
Em que guardei informações que esqueci
Para poupar minha mente.

E se ele tinha mais memórias minhas do que EU,
Ele era mais Eu do que Eu mesmo.
Adeus, meu binário Eu.


Júlio Valentim Barbosa Neto (Currais Novos, Rio Grande do Norte, 1997). Procura, através das letras, dar suficiência à vida.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Júlio Valentim Barbosa Neto

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