Pode parar com essa gritaria! Abaixe o tom de voz pra falar comigo! Eu sei que você gosta de showzinho, mas hoje não tem plateia. Sejamos homens civilizados! Só estamos nós dois aqui. Portanto, me respeite! E se comporte, de modo a preservar o resquício de consideração que ainda tenho pelo que vivenciamos!
Não adianta vir à minha casa, faltando poucos dias pra eu partir, e despejar sobre mim os seus ressentimentos e as suas desilusões! Agindo dessa maneira, você só confirma que continua grosseiro e imaturo. E não estou o ofendendo, não! Por favor, não me venha com ironia! Essa é apenas a óbvia constatação. É a pura realidade!
Sinceramente, você acha mesmo que, caso reatássemos nesta noite, a nossa relação duraria, no mínimo, um mês? Será que, daqui a algumas semanas, conseguiríamos comemorar o Dia dos Namorados? Relacionamento a distância não é pra qualquer casal não, meu bem! Especialmente se estiver imerso em um contexto tão caótico como o nosso.
Ora, isso não é radicalismo. E, muito menos, excesso de racionalidade. É apenas a retomada tardia de um amor próprio esquecido no sótão, já que, infelizmente, transbordo sentimentalismo. E você bem sabe disso, afinal sempre dizia que eu era sentimental por ser canceriano. E, em seguida, você vinha com aquele blá blá blá típico de quem se apega à frieza de um mapa astral e se mantém distante da ardente realidade.
É difícil se envolver com alguém que me sufoca. É estranho estar ao lado de uma pessoa que, sob o pretexto do amor, me ofende, me agride… Que sentimento (horrível) é esse que nutre por mim?!
Você é tão egoísta e covarde que, desde quando entrou, não conseguiu olhar diretamente nos meus olhos!… Não quis encarar esta marca no meu rosto, fruto de sua agressividade. Você tem noção do que isso significa, rapaz?

Vamos, a porta está aberta. Retire-se, definitivamente, da minha casa, da minha vida!


Vagner Silva (São Lourenço, Minas Gerais, 1994). Graduando em Direito e bolsista do Programa de Educação Tutorial Institucional (PETI) pela UFLA. Publicou, em 2015, o poema “Mudo (n)o mundo” no livro “15º Concurso de Poesias”, organizado pela CNEC de Capivari/SP. E, no 1º semestre de 2016, os textos poéticos “Costura amorosa” e “Rosa de 12 de Junho” na Revista Subversa e “Desamor” na Revista Philos.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Despedida caótica, por Vagner Silva

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