Brasileirinho

Se fuçar bem no meio do lixo
tem até homem de reza ensaiada
repete a que lhe foi ensinada
e perdoa essa vida má.
Chega domingo,
pede a Jesus um cachimbo
perdido em meio a sujeira
só quer mesmo é a bebedeira
pra fazer o dia acabar.
O indigente,
ria até faltando uns dentes
“até mesmo ninguém liga pra gente”
dizia sem se preocupar.
Já perdido na escuridão da lixeira
namora uma a uma as estrelas
até o céu surrupiar.
De manhã cedo, num nicho,
no pescoço, um crucifixo,
o coração achou no lixo
e segue a vida como dá.


Hozana Bidart (Rio de Janeiro, 1997). Encontra na poesia uma forma de desconstrução: da LGBTfobia, do machismo, do racismo, de preconceitos sociais e culturais e, acima de tudo, luta pela sua ideologia de que a poesia nasceu para ser acessível a todos, como uma espécie de voz e alento, sem perder uma delicadeza poética única.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Hozana Bidart

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