Haicai IX – Inverno

bem-te-vi canta
entre galhos sem folhas –
ao amanhecer.

Shangri-La

Gosto de andar pelo chão de terra batida
Molhado pelo orvalho das manhãs de inverno,
Vendo o verde desbotado dos arbustos cansados
Esperarem a primavera chegar.

Ao longe, sons chiados de rádios AM ressoam,
Nostálgicos, ao longo das casas de tijolos em
Consonância com os bem-te-vis.

Crianças brincam no campo improvisado,
De casaco e chinelo desde as primeiras
Horas da manhã até que o azul-escuro
Tinja o laranja-avermelhado das tardes.

Mas que lugar é esse, meu Deus?!
Onde ao anoitecer as lâmpadas dormem
E estrelas brilham… Soberanas, cristalizadas
No firmamento do já não tão distante céu.


Jessyca Santiago (Recife, 1990). Graduada em Letras Inglês pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, trabalha como professora.

Posted by:Souza Pereira

Souza Pereira (Recife, 1994). Escritor e Editor chefe da Revista Philos. Biomédico e Mestre em Genética pela Universidade Federal de Pernambuco. Cursou História crítica e social do pensamento, da literatura e das Artes (Portugal). É co-fundador da casa editorial Camará Cartonera e do Espaço Cultural Maus Hábitos (Brasil). Autor dos livros A tarde dos elefantes e outros contos (2014), Polissemia (2015) e Olhos de Onda (2016). Artista visual e colaborador do Espacio Cultural Violeta (Chile) e do Colóquio Escrever nas Margens (Portugal). Colabora com diversas revistas de literatura latina na Europa e América Latina.

One thought on “Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Jessyca Santiago

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