Haicai IX – Inverno

bem-te-vi canta
entre galhos sem folhas –
ao amanhecer.

Shangri-La

Gosto de andar pelo chão de terra batida
Molhado pelo orvalho das manhãs de inverno,
Vendo o verde desbotado dos arbustos cansados
Esperarem a primavera chegar.

Ao longe, sons chiados de rádios AM ressoam,
Nostálgicos, ao longo das casas de tijolos em
Consonância com os bem-te-vis.

Crianças brincam no campo improvisado,
De casaco e chinelo desde as primeiras
Horas da manhã até que o azul-escuro
Tinja o laranja-avermelhado das tardes.

Mas que lugar é esse, meu Deus?!
Onde ao anoitecer as lâmpadas dormem
E estrelas brilham… Soberanas, cristalizadas
No firmamento do já não tão distante céu.


Jessyca Santiago (Recife, 1990). Graduada em Letras Inglês pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, trabalha como professora.

Posted by:Jorge Pereira

Produtor cultural e agente literário pernambucano baseado no Rio de Janeiro e São Paulo. Fundador da Casa Philos e editor-chefe da Revista Philos. Curador de festivais literários e de arte contemporânea.

Uma resposta para “Neolatina: Mostra de poesia lusófona, por Jessyca Santiago

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